Deepfake – Conheça os perigos da mídia falsa criada por IA

Deepfake pode ser traduzido como uma “falsificação profunda”, como algo falso, feito de maneira tão realista, que quase se torna real. A tecnologia começou a se espalhar já tem alguns anos e consiste basicamente de mídias falsas criadas por inteligência artificial.

A técnica precisa de materiais com exemplos do que será reproduzido, como outras filmagens da pessoa retratada, áudios ou até mesmo fotografias da internet. A inteligência artificial então aprende os trejeitos, expressões, e consegue jogar isso em um modelo que é aplicado em outro rosto, outra gravação, uma montagem, ou o que quer que seja.

Comparação de uma foto original com Alison Brie (esquerda) e uma montagem deepfake com a cara do ator Jim Carrey (direita) – (Imagem: Reprodução/Sciencedirect)

Nem é preciso dizer que o surgimento de computadores capazes de criar esse tipo de falsificação é uma preocupação muito grande. No universo digital que toma conta do mundo, está se tornando cada vez mais fácil criar informações falsas e pessoas famosas, como, por exemplo, atores, políticos, estudiosos de grande renome etc. são os alvos principais.

Se você ficou curioso sobre essa nova tecnologia, os perigos que ela acarreta ao nosso uso da internet e como podemos reconhecer uma criação de inteligências artificiais de forma mais fácil, confira o artigo a seguir.

O que é um Deepfake?

Como já mencionado, deepfake é uma tecnologia que faz uso do aprendizado de máquinas virtuais, deep learning, e inteligências artificiais para falsificar um vídeo ou foto de alguém. Mas o que isso significa?

Tudo começou em 2017, mais ou menos, quando um usuário do site Reddit começou a realizar uploads de conteúdo pornográfico. Os vídeos continham cenas chocantes de atrizes renomadas como Emma Watson e Gal Gadot, e que obviamente não eram reais.

O usuário, de nickname “deepfake”, foi um dos primeiros a utilizar softwares que ensinavam padrões à máquina, os famosos deep learning. Esses programas pegam clipes pornográficos já existentes, com outras atrizes, e colam neles uma montagem dos rostos de outras pessoas.

O segredo aqui é que não é apenas uma edição de vídeo: a inteligência artificial “aprende” como o rosto da pessoa se comporta e consegue reproduzir o mesmo rosto com a expressão que você quiser que ele tenha ou que seja similar a de um material já existente.

Depois desse caso, que repercutiu bastante na época, o método começou a se chamar Deepfake e já trouxe dor de cabeça a muitos famosos e famosas por aí. Isso principalmente pela facilidade e acessibilidade com que se tornou possível produzir a prática.

Perigos do Deepfake

O método de falsificação deepfake tem se tornado um problema cada vez maior conforme a tecnologia se torna mais acessível. Enquanto antes eram preciso noções de programação para poder produzir os vídeos, existe agora aplicativos que fazem todo o serviço por você.

E o problema aqui vai muito além do mal uso da imagem de alguém: ele toca também em questões de propagação de informações falsas que podem ser de vital importância politicamente e até diplomaticamente.

Apesar da tecnologia não ser perfeita, sendo perceptível a imitação caso você analise de perto, quando feita de maneira realista, e até com más intenções, engana muita gente e pode causar ruídos na comunicação.

Acompanhe os principais perigos da prevalência de uma tecnologia como essa:

Propagação de Fake News

Um deepfake reproduz de maneira fidedigna o rosto de qualquer um, em qualquer outro material, tornando as possibilidades praticamente infinitas. Isso quer dizer que a mídia de vídeo, que já podia ser adulterada, se tornou ainda menos confiável. 

Infelizmente, a quantidade de pessoas que consegue diferenciar um vídeo original ou real de uma montagem deep fake é pequena. E, quanto mais o tempo passa e melhor a tecnologia se torna, mais se agrava o problema.

Uso e abuso da imagem alheia

Quantas fotos você possui no seu Facebook? No Instagram, no Twitter ou até mesmo no LinkedIn? Não é preciso muito para que um sistema possa pegar essas imagens e criar uma montagem vergonhosa com a sua cara.

Apesar de parecer uma ótima pegadinha para fazer com os amigos, o método cria reproduções extremamente realistas, que, dependendo de com quem são feitas, podem ter repercussões internacionais bem negativas.

Isso serve para discursos políticos, que podem ser alterados do começo ao fim, falas importantes de líderes sociais, atores e personalidades de relevância, YouTubers, jornalistas, enfim, qualquer um.

Como reconhecer um deepfake?

Nossa única defesa, de verdade, é estar sempre atento às informações e mídias que vemos na internet. É preciso estar ligado para notar qualquer coisa estranha que possa indicar um material falso.

Apesar disso, o mais importante detalhe, que dificulta a “vida” do computador na hora de criar algo realista, é a sincronia do áudio com a boca. Perceba, pausando e diminuindo a velocidade do vídeo, se o áudio que você está ouvindo faz sentido com os movimentos da boca.

Prestar bastante atenção nas expressões também é uma ótima dica. Em muitos casos, as deepfakes não conseguem reproduzir uma expressão facial que seja condizente com o tom da voz. Discursos com emoção que não trespassam nenhuma reação na cara do orador são alvos de desconfiança.

E, por último, precisamos entender que, apesar da presença de conteúdos intencionalmente falsos, a internet é ótima em desmascarar mentiras. Em caso de suspeita de deepfake, procure outros vídeos sobre a pessoa em questão e analise os dois. 

Ante a isso, fale com as pessoas na internet e compartilhe suas dúvidas e desconfianças. Mesmo que o seu olho não seja bom para reconhecer uma deepfake, com certeza dá pra encontrar um monte de gente mais experiente e disposta a ajudar na internet.

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Formado em Jornalismo, atua como redator de notícias desde 2017 escrevendo sobre games e tecnologia. Também é Co-Fundador da Crenix Games, empresa de jogos digitais de Curitiba onde exerce uma de suas paixões: Design de Narrativas para Games.
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